Sexta-feira, 28 de Julho de 2023

enjaulei-me para não viver.

a dor de sentir a vida e não a poder agarrar é tanta que se arranjam trabalhos para enganar a liberdade que não se tem. borboletas esvoaçam lá fora debaixo de um sol que já se faz quente. a vida segue leve. elas é que a sabem. a liberdade de voar. a efemeridade que é estar cá apenas o tempo necessário para chegar lá. e voar. e pressentir que se faz parte de algo maior. que a beleza que se traz tem propósito. que cada bater de asas pertencerá a uma cadeia num voo.
de que sequencia farei eu parte? de que mundo me ando eu a esconder?
aceitam-se migalhas. asas ficam por bater. vivem-se os dias em prisões perpétuas. as mágoas. as mágoas que não saram e a vida que passa. os beijos que ficam por dar. os abraços já laços. e a solidão arrasa.


publicado por lugar_teu às 12:26
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Sábado, 7 de Janeiro de 2023

danças e corridas

Hoje corri à chuva. por entre gotas e poças lavou-se o corpo em cansaços moderados. pé ante pé ao ritmo desordenado de sons aleatórios de quem quer tudo e não é nada.
Corri à chuva e na cidade deserta, silenciosa e onde a noite já caíra, dancei. escada acima, escada abaixo, ponte, estrada, em sentido único e em oceano aberto. dancei. já de noite e sem olhares observadores. porque não é preciso ter audiência para nos fazermos felizes.


publicado por lugar_teu às 20:36
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2022

noites

No vago silêncio de uma alma triste revezam-se palavras de anoitecer. Espera-se o dia, em horas a conta gotas, que desta noite já nada surgirá. Fica o vazio dos abraços não dados, o gosto triste dos beijos escassos e o sal das lágrimas que desta vez não caíram. A noite traz destas coisas: a imobilidade, a solidão, a tenacidade do vento que passa por entre os ramos. Sonha-se com dias de caminho, gritos de alegria, conversas com entendimento, mochila como casa, destinos em horizonte.

Quantos amores pode, uma pessoa só, carregar dentro? Quantas virgulas, pode uma só vida, ter? É sentir-lhe o peso nos ombros, as rugas por cada baque, o olhar cansado de quem já viveu demais. Como se fosse possível, em meros pedaços vividos, ter provado, num trago só, todas as dores do mundo.


publicado por lugar_teu às 21:12
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Sábado, 13 de Agosto de 2022

da janela

Curva e contra-curva, o sol a poente e a água corre sem se senti-la passar. Luzes, como que presença, vão iluminando a encosta e acompanham um fim de dia cansado.
Já é noite, a vida sempre passa e com ela uma ruga mais. Às tantas olhas o reflexo na janela e já não te reconheces. Fazes, hoje, parte dessas florestas onde corrias outrora. do alcatrão em brasa. do bebedouro da rua. da areia da praia. O teu contorno esbateu-se por entre sonhos, céus e marés.


publicado por lugar_teu às 20:02
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2022

...

são histórias às quais não coloquei um termo. os beijos quentes e intensos que não se esquecem. o toque de quem me faz estremecer. o convívio fácil de quem me tenciona conhecer.
são histórias. passados que teimam em ficar. na pele. na memória. numa auto-estima que já viu melhores dias.


publicado por lugar_teu às 18:45
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Quinta-feira, 16 de Junho de 2022

.

recomeços. altos e baixos. viagens e divagações. quando o fascínio ainda é um conceito. e quando a perda é o mote. sabemos sempre muito pouco do que é viver. fazemos o que pudemos e a cada passo se faz caminho.
dias de chuva em meses de verão. tardes de sol em olhos sonhadores. e vida à espreita em cada esquina na esperança de que a queiramos cruzar.


publicado por lugar_teu às 16:35
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2022

dos lugares

Acordas a meio da noite: alguém lhe chama insónias. acordas a meio da noite e, é noite lá fora e cá dentro também.
Não sabes o que fazer a tanta hora por passar. Porque, um dia, sabes que chegará o tempo de partir. chegará a tua vez de agarrar a vida, o dia e a própria noite talvez. chegará o momento em que a noite será curta, o lugar o certo e o amor a outra metade de ti. Será a vida a dizer-te que está tudo bem por fim. a dar-te a liberdade de seguires sem rodeios pela estrada adiante, ou pelo atalho lateral. Está tudo bem. Porque, se já o fizeste um dia, poderás voltar a fazê-lo. se já o viveste, poderás voltar a senti-lo.
É acordar a meio da noite, veres que chove lá fora. saíres. respirares o ar molhado. e estares de novo no alpendre de terra batida, com o céu estrelado como tecto, fogueira em chama a aquecer a saudade e a caiada montanha como horizonte. É deixar que amanheça. que a chuva pare. que fique o chilrear dos pássaros a recordar-te que estás vivo. Um dia irás voltar.


publicado por lugar_teu às 06:15
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Sexta-feira, 27 de Maio de 2022

dos ganhos e das perdas.

e a vida vai-se perdendo. entre respirações sem fulgor. entre medos incessantes. entre gritos mudos e olhares vagos. e perdendo, porquê? porque a cada dia que passa e não se perseguiu com garra tudo o que se quer, é vida perdida. talvez não seja tempo perdido. porque a cada fase as suas lutas. mas a vida vai-se, quer saibamos viver ou não. quer entremos na dança, ou não. quer arrisquemos o abismo, ou nos agarremos ao conhecido. a vida não espera e eu dou por mim, dias a fio, a lutar guerras que não são minhas. a querer amores que são desamores. a caminhar trilhos escuros quando os meus são tão belos, desafiantes e luminosos.
tempo: o bem mais precioso. vida: o mais escasso dos momentos.


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Segunda-feira, 16 de Maio de 2022

.

terminou há muito mas ainda se anda por cá. cada ferida. cada medo. cada lágrima. um dia cicatrizes.
seremos um dia encontro nesta terra de beleza suprema. ou, quem sabe, nesse universo distante. e nesse dia de infinitude, o coração ficará enfim sereno. as dores serão de novo suaves e o olhar voltará a procurar futuros. porque há perdas que nos transformam. amores que não se explicam mas magoam.
e, nada disto importa porque o Amor deveria ser sempre uma construção bonita. uma nascente. um lugar de paz. 


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Domingo, 6 de Março de 2022

.

e assim. em palavras subtis, se inibe o desejo. se cala a vontade. se engole em seco. porque há quem sinta. demais, de menos, em pleno, plano, em queda, em cruzamentos. e assim se termina o que nunca começou. com parcas palavras. com dores de barriga. sem prantos, mas com amargura. ou, se procurarmos bem, talvez doçura pelo que se viveu ou sonhou. não importa mais se foram palpitações a mais, se a velocidade foi para choque frontal. se só se morre uma vez, mais vale procurar o inferno e o céu aqui na terra que chegar lá e não os encontrar.


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Sábado, 12 de Fevereiro de 2022

inútil é o não querer

São inúteis todas as canções de amor. É inútil o sofrimento e até mesmo o bater do coração. A vida passa e nunca será uma escolha nossa. São sempre mais a reacções do corpo, o bem-estar da alma, o querer de uma vontade que até ali se desconhecia. Somos muito pouco perante tudo o que anda à nossa volta. Somos pouco no comando, que ninguém me tira do peito esta certeza de que alguém decide por nós também. É inútil acordar a um sábado pela manhã com um aperto no peito. É inútil porque, mais inútil que sentir-lhe o bater é querer mudar o que não podemos controlar. É deixar o amor no mundo. É dar-lhe asas para que levante voo e um abrigo para que sempre possa voltar quando precisar.


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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2022

dos fins a cada hora.

fins de ano adiados até que apareça o tempo certo. porque entre 31 e 1 a diferença é zero. as mesmas borbulhas, as mesmas rotinas, os mesmos pensamentos, o mesmo pijama até. e de repente, sem dares por ela, num trinta e um que pode ser um onze ou um vinte e três, estás a passar à frente dos dias maus. há quem te ponha um sorriso no rosto. há quem te beije com fulgor. há um último suspiro de mágoa e és livre de novo. livre de novo para recomeçar. para amar. para tentar.


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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022

a lua.

a lua está cheia hoje. nasce mesmo aqui de frente e lembra-me de respirar. parar já parei faz muito. mas respirar tem doido e por isso deixo de o fazer por vezes. a lua. ai, se eu pudesse agarrar certos momentos. como aquele em que vi pela primeira vez um pássaro que pousa. um abraço apertado. um soluço de criança ferida. se eu pudesse, permanecia. mais tempo de modo a aprender. aprender que nada permanece ao nosso alcance: segue caminho como a lua; devora dias como o sol; caí em esquecimento como a folha caduca de uma árvore. Nada fica. recorda-me hoje esta lua redonda e longínqua que grita para que eu deixe o ar circular. abri as janelas, deixei o frio de janeiro entrar. entre pensamentos omissos cruzo realidades indefinidas que nunca vou ousar.


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Terça-feira, 4 de Janeiro de 2022

é, quase sempre, um fim.

são tantas. tantas as caras de uma multidão sem nexo. eu passo e tantos olham com pensares vazios de sentimentos que o julgamento, esse, sempre fica. as vozes. não suporto as vozes que me assombram. gritam que esqueça. que sou demais. como se ser demais fosse intolerável. esta terra cheia de gente, e eu sozinha num caixote dentro ele de um outro caixote rodeado de caixotes. nem frágil escreveram, de modo que é sentir-me aí aos trambolhões. de mão em mão, riso em riso até que o uso e a intempérie me desfaçam a carcaça. quem sabe, já exposta, alguém se lembre que havia gente dentro. porque já quase não vai havendo. já quase não alumia a chama. já quase não se vê rastilho.


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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2021

do sorrir

ontem dei por mim a sorrir. já não sorria assim há muito. sem qualquer motivo. sem uma vida organizada. sem uma paixão à porta que não seja a vida por viver. ontem caminhei por essa margem, meio à chuva, meio ao vento. não vi ninguém. não ansiei ninguém e a certeza de que a vida vale ainda assim fez-me sorrir. porque fazê-lo em dias de verão rodeados de amigos é exponencialmente mais fácil. mas saber-te bem estar vivo em dias vazios é subtilmente mais satisfatório.


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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2021

trabalhando: o olhar.

é quase fim de dia. trabalhou-se pouco por infortúnio desconhecido. passearam-se antes os trapos de andar por casa como quem faz uma inteira passagem de modelos só porque a inquietação não permite o sossego de fazer aquilo pelo qual estamos a ser pagos. que massacre. que massacre estar continuamente à espera que o amanhã seja melhor. raramente é. bebe-se chá para aquecer mas, mais que isso, para enganar os dentes que ansiosamente precisam de trincar.
olha-se a janela, hoje o horizonte não se estende. é apenas aquela linha de árvores ao fundo do largo que já adquiriu os seus tons de Outono. o sol reflecte nas árvores e eu choro. choro porque, mesmo que houvesse cores mais belas, hoje é nelas que a poesia discorre da minha janela. as nuvens passam sob um céu azul empurradas por um vento forte e frio. o som do comboio entra veloz pelas frestas mal vedadas. as pessoas passam e as crianças correm a ver se apanham a vida. E a ver esta mesma paisagem que eu, alguém alojado numa tenda ali em baixo. a Terra é de todos. alguns têm a sorte de ter um tecto.


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Quinta-feira, 18 de Novembro de 2021

quando o amor é demais.

quando o amor é demais. quando, ainda assim, precisamos dele como quem inala ar para viver. quando sabemos que amar demais será sempre a forma mais dura de viver, mas também, aquela que te fará sentir realmente vivo. quando o amor é demais, os amarelos dos amanheceres de outrora ganham mil tons: do azul da noite ao vermelho carne. quando o amor é demais, as palavras que não são ditas vêm em forma de poema, ou no som do vento forte, ou do frio que faz. quando o amor é demais a vida sorri, apesar do olhar triste, porque saudade é um termo português, mas o que vai dentro não tem língua. é a esperança de que quem faz falta deixou tanto de si que é eterno enquanto a lembrança existir.
haverá amor demais?


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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2021

.

Ingénuo. Ingénuo eu. por achar saber o que é impossível saber. horas diferem de horas. dias dilaceram dias. o céu encobre dias radiosos, momentos de glória, troféus que um dia tive. Senti-la sem defesas, fingimentos, medos. Minha portanto. Só porque sim.
Ingénuo eu, por achar que seria o primeiro a tirar-lhe as entranhas fora. Fui só mais um golpe. há-de sarar.
Melhor assim.


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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2021

Insónias, capicuas e ausências.

Um mês de ausências. Tuas. Minhas. De nós dois e de mim neste mundo que não me serve. Chegou-se aos 33. Celebrou-se os que já lá estão e fez-se caminho como quem dele precisa para respirar. Regressam as insónias. Faz-se um esforço por deixar o passado no passado ainda que conversas por ter. Quando chegará a hora de seguir sem dores e a passo assertivo? Virá. Quem sabe antes do fim do mundo ainda o coração cante de paz. Há noites em que mais vale confiar.


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Sábado, 25 de Setembro de 2021

insónia

é doce o som da insónia neste corpo já morto de cansaço. escrutina-se a mente a saber onde se errou. voltas e voltas e voltas embaladas pelo som da chuva que cai lá fora. as estrelas são hoje os candeeiros da cidade que se estende ao longe nesta noite de breu intenso. era sair, lavar a alma, matar-me de frio, vento e suor. e depois voltar dorida e serena a mais um dia de trabalho que agora pouco importa se é Domingo: és adulto. trabalhas dias a fio, noite dentro e gostas.


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Domingo, 19 de Setembro de 2021

domingos

Domingos solitários dão lugar a pequenos-almoços tardios e demorados. Obriga-se o corpo a ficar na cama um pouco mais para não se sair directo para a devassidão que é perdermo-nos num mar de gente e ser o vazio a acompanhar a caminhada. Escreve-se, a pedido, em dia claro porque a noite tem fantasmas que não vale a pena reencontrar.


publicado por lugar_teu às 12:37
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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2021

reflexos

estrelas abaixo
o ponteiro gira
ouvidos contraem para ouvir os sons da noite
nos auscultadores

serei sempre eu
linda - em reflexo na janela
t-shirt L em corpo S
dores de 90 em corpo de 30

que faz acordada de noite uma alma que só vive de dia?
insensatez a de - ainda - ousar sonhar

achar que se pode escapar à solidão por já não se ter a janela 16 por 9

palavras de outros
romances de treta
algum dia acabará bem?
o fim: o mesmo.
deambular
ruas desertas preenchem
janelas
olhares
corações doridos

e, que a vida dê a chance de mudar
de olhar
seres tu no reflexo da janela
e achares-te bem.
segura
limpa
forte
na mesma t-shirt L em corpo S


publicado por lugar_teu às 23:26
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2021

vinte

É sempre a música. é sempre ela que me leva para junto de ti. é o que resta do teu abraço sonoro, da tua voz acompanhada de palavras doces. sempre soubeste amar-me: nas noites de anseios, nos amuos, na obstinação.
Ninguém diria que são quase 20. vinte vezes trezentos e tantos sem ti. E continua a ser a música a aconchegar o vazio de não te ter.
Não haverá dia em que não faças falta. em que não se estranhe a tua não chegada.
E haverão sonoridades que sempre me lembrarão da serenidade do teu colo, das tranças no meu cabelo, das tantas vezes em que orgulhosamente despachei o carinho que mais ninguém voltaria a dar. 


publicado por lugar_teu às 22:40
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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2021

aprendizagens

Vê se aprendes de uma vez. os silêncios dizem tanto quantos as palavras que deviam ter sido ditas. aprende que há quem tenha vindo para partir, quem tenha vindo para ferir e que prazer algum vai encher este vazio que te cresce nas entranhas.
Aprende que podes confiar, mas dificilmente alguém te vai ser fiel como tu poderias ser à tua integridade. Haverá sempre o momento em que o mundo conspira contra, em que te cruzas com o que não devias, em que pressentes que o teu fim está para breve. Porque às vezes tens que te sentir apenas ordinário para recomeçar a escalar de novo essa parede da plenitude.


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Quinta-feira, 10 de Junho de 2021

sobre a cegueira

A tua mão passa por esse livro suado e já com tom bronzeado.
Passa leve pela capa. Pega nele. Lê-lhe as entrelinhas.
E esse gesto. Esse gesto teve que ser tudo.
Esse livro era eu.


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Quinta-feira, 1 de Abril de 2021

IIII

Porque preciso de deixar a minha alma e o meu corpo mergulharem em rios que desconheço, preciso de beber coisas que nunca bebi, de contemplar montanhas que vejo apenas na televisão, de deixar que o mesmo amor que experimentei esta noite se volta a manifestar, mesmo que seja um minuto por ano. (...) Tinham ambos sede de infinito. (...) E para isso não precisavam de nenhum lugar especial além do próprio coração e da fé que existe, uma força sem forma que permeia tudo e carrega em si o que os alquimistas chamam de Anima Mundi. p.180


publicado por lugar_teu às 14:58
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III

Não existe diferença entre o mar e as ondas
Quando a onda cresce, ela é feita de água
E quando  quebra na areia, também é feita da mesma água.
Diz-me, Senhor: porque são ambas as coisas iguais? Onde está o mistério e o limite?
O Senhor responde: todas as coisas e pessoas são iguais; esse é o mistério e o limite. p91


publicado por lugar_teu às 14:54
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II

- Nunca achei que fosse capaz de amar alguém como te amo - respondeu Karla, depois de os dois esvaziarem os copos e de ela os votar a encher. - O meu coração estava fechado, e isso nada tem que ver com psicólogos, ausência de substâncias químicas, cem com coisas do género. É algo que jamais conseguirei explicar, mas de repente, não sei precisar exactamente o motivo, o meu coração abriu-se. E vou amar-te para o resto da vida. Quando estiver no Nepal, amar-te-ei. Quando voltar para Amesterdão, amar-te-ei. Quando finalmente me apaixonar por outra pessoa, continuarei a amar-te, mesmo que seja de maneira diferente da que sinto hoje.
"Deus (que não sei se existe, mas que espero esteja aqui ao nosso lado, a ouvir as minhas palavras), peço que nunca mais permitas que fique satisfeita apenas com a minha companhia. Que não tema precisar de alguém e que não tenha medo de sofrer porque não existe pior sofrimento do que a sala cinzenta e escura onde a dor não pode entrar. p. 217-218


publicado por lugar_teu às 14:46
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I

O verdadeiro caminho espiritual é mais forte do que as razões que nos levaram a ele. Aos poucos, vai-se impondo, com amor, disciplina e dignidade. Cega o momento em que olhamos para trás, lembramo-nos do início da nossa jornada e então rimo-nos de nós mesmos. Fomos capazes de crescer, embora os nossos pés percorressem a estrada por motivos que julgávamos importantes, mas que eram muito fúteis. Fomos capazes de mudar de rota no momento em que isso se fez muito importante.
O amor de Deus é mais forte do que as razões que nos levaram até Ele. O poder de Deus está connosco em todos os momentos, e é preciso coragem para deixar que se manifeste na mente, nos sentidos, na respiração. É preciso coragem para mudar de ideias quando nos damos conta de que somos apenas meros instrumentos da Sua vontade, e de que é a Sua vontade que devemos seguir. p101-102

in Hippie de Paulo Coelho

 


publicado por lugar_teu às 14:33
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2021

prosseguir respirando

Acordam as prostitutas a desejar ser outras neste dia de luz. Ainda que chova, o ritmo alegre da música que soa no gira-discos, faz deste um dia alegre. O que te faz, a ti Marlene, sair por essa porta para dar o corpo ao manifesto com esse sorriso nos lábios? O que te faz, a ti Marinela, pousar esse corpo outrora jeitoso numa das esquinas da avenida com esse sorriso no olhar? E a ti, Victória, o que te faz dançar feliz à chuva, na mata junto à Estrada Nacional?
A vida, raramente segue em linha recta e por isso, a maioria das vezes, depende de nós ver o brilho de um dia triste. A liberdade que é não ter nada a perder e prosseguir respirando. E cantando. Encorajando a vida a trazer-nos dias melhores. Músicas alegres. Finais felizes.


publicado por lugar_teu às 19:14
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